Muzika Dokumenta Filmfestivalo

Festival de Documentário Musical

Music Documentary Film Festival

O Sonica Ekrano é um festival inteiramente dedicado ao documentário sobre música. Mais do que reunir filmes sobre músicos ou géneros musicais, procura dar espaço a obras que encontram na música uma forma privilegiada de compreender pessoas, lugares, comunidades e momentos da História. Num tempo em que a abundância de conteúdos nem sempre significa diversidade de olhares, continuamos a privilegiar filmes nunca ou raramente vistos em Portugal, abrindo espaço a cinematografias, geografias e narrativas que permanecem, tantas vezes, fora dos circuitos de maior visibilidade.


Os filmes deste ano mostram-nos que a música nunca existe sozinha: nasce sempre de um território, de uma comunidade e de uma forma particular de escutar o mundo. Das montanhas da Papua Ocidental às aldeias da Sardenha, das ruas de Birmingham, Alabama ao norte do Gana, da Irlanda rural às ruas de Bamako, da Guiné-Bissau a Hyderabad, de Istambul a Barcelona e às pequenas localidades do centro e norte de Portugal, a música surge como memória, ritual, resistência, identidade e encontro. Mesmo quando acompanha figuras maiores como Hermeto Pascoal, Sun Ra, Erik Satie ou os Mogwai, este é um programa que procura compreender não apenas quem são estes artistas, mas também os lugares, as pessoas e as circunstâncias que moldaram o seu percurso.


Ao longo de nove dias, o festival apresenta estreias nacionais, uma Secção Competitiva cujo vencedor volta a ser escolhido pelo público, sessões dedicadas às curtas-metragens e um conjunto de Seleções Especiais que atravessam diferentes geografias, épocas e formas de criação. São filmes que recusam a nostalgia fácil, a hagiografia ou a simples cronologia biográfica, preferindo aproximar-se da música enquanto experiência vivida e força transformadora.


O Sonica Ekrano continua também a afirmar o documentário musical como um território de descoberta, porque permanece, tantas vezes, longe dos holofotes mediáticos onde se vão construindo algumas das histórias mais importantes, tanto no presente como em passados que demoraram décadas a ser plenamente reconhecidos. É nesse espaço de curiosidade, escuta e encontro que o festival procura existir.


Que esta quinta edição seja, acima de tudo, uma celebração da capacidade da música para criar comunidade, preservar memória e abrir novas formas de olhar para o mundo. Porque, antes de ser património, entretenimento ou indústria, a música continua a ser uma das formas mais profundas que encontramos para compreender quem somos.

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